quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Entre tantas bocas descartáveis

Entre tantas bocas descartáveis,
Tantos olhos de carbono,
Alternam-se sístoles e diástoles
Compondo percepções em milisegundos
Do crepúsculo magenta
Que engarrafa a nau da tarde.

Ergue-se a lua dissonante,
Vestida de gala
Em quarto minguante
Enquanto a corte de estrelas cala.

Aqui jaz o tempo,
Aqui todos os espelhos são cegos,
Aqui os versos são paredes,
Daqui nasceu o vento
E todos os cometas vêm pra cá quando dormem.

Meu lirismo canta em retalhos
Quando a noite grita em silêncio.

Daniel M. Laks
27/09/06

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Me desculpe sair assim

Me desculpe sair assim
Mas para dizer a verdade
Hoje só me resta a saudade
Do que tiraram de mim

Te digo, pra ser sincero
Que o que um dia fui
Voltar a ser não espero
E o que penso e espero não mais influi

E pra ser honesto
Após a nossa divisão
Tem coisas que já não me presto
E o que me sobra é o resto
Da cinza da nossa paixão

E se seu nome ainda sopra no vento
Que ele te leve pra bem longe
E a vida me traga o ungüento
Pra aliviar o sentimento
Que um dia chamamos de amor.

Daniel M. Laks
31/08/06

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Lembrança

Ainda lembro da minha mão na sua cocha,
E dos meus dentes na sua carne...
Lembro da minha língua e da tua língua,
E de como a sua mão me prendia quando você ia voar.

Você também sonha com o nosso abraçar?
O momento em que nos calávamos te trás nostalgia?
Será que eu continuo te inspirando poesia?
Será que me envergonho e seria melhor calar?

Eu amo a passionalidade das uvas vermelhas!
Fortes como um tango argentino.
Eu sinto o gosto dos seus lábios em Dionísio,
Eu sinto o cheiro do seu sexo jamais engarrafado.

Eu até hoje me sinto sufocado!
Será que algum dia você volta?
Será que você se vê do meu lado?

Daniel Marinho Laks
25/08/06

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Inspirado em Neruda

Tem nos olhos cor da lua quente,
Entre as violetas coroadas de espinhos
Ergue a forma esculpida reluzente
E se espalha em pólen pelos caminhos.

Cheiro molhado de pão e tulipas,
Raiz de fogo que se espalha em centelha,
Toda lagarta ganha asas um dia
Mas sem torpor de mel inveja a abelha.

Então espalha vermelho com seus passos,
Morde lábios, faz neblina,
Cria estrelas pela rua.

Depois abraça com seus braços
E foge dos encalços.
Já é manhã, se esconde lua!

Daniel M. Laks
08/06/06

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Passarinho

Voa voa passarinho,
Bate as asas, sai do ninho
Voa norte, voa sul
Dribla as nuvens, caça estrelas
Se perde na imensidão azul

Só suas asas passarinho
Te carregam na jornada
Morde as flores, tira a seiva
Vai embora,
Sobra nada

Mas se um dia passarinho
Construir um novo ninho
Pra fazer sua morada
Lembra sempre passarinho
Que no seu antigo ninho
vive a flor despetalada

Daniel M Laks
25/05/06

quinta-feira, 9 de março de 2006

Dessas pessoas

Você é dessas pessoas
Que não respondem ao amor
Só responde a rejeição

É só agora eu percebo
O nosso tempo foi em vão

Você assim tão passional
Paixão é sempre transitória
Desperdiçamos sentimentos
Não vivendo a mesma história

O nosso amor morreu na estrada
Foi tanto plano
E deu em nada

Chego a pensar se foi bonito
Nem mesmo sei se eu ainda acredito

Mas siga sem se preocupar
Não precisa mais pensar
Você tomou a decisão
Partiu em busca de uma nova ilusão

Agora falta aprender
A diferença entre amor e paixão

Daniel M. Laks
09/03/06

sexta-feira, 3 de março de 2006

Descrição

Me descrever?
Gostaria de não traçar paralelos entre o que amo e odeio,
ou usar paráfrases, anáforas, metáforas nem nehum artifício sintático, lunático, somático...

Sou, como qualquer um que conheço,
uma tendência à mediana dos meus próprios extremos,
resultado da relação entre oportunidades e tomadas de decisões.

Inconstante,
muitas vezes incoerente,
mas sempre mutável.

cambaleando, caíndo e levantando.
Sigo!!!!!
Engulo meus prantos sorrindo
pois a melancolia pra mim é o pior caminho.

Daniel M. Laks
03/03/2006