Sopra um vento de primavera,
Falando alto pra quem quiser escutar.
Quem nunca contou um segredo ao vento?
Esperando que o vento não fosse espalhar.
Mas o vento não guarda segredos,
E porque haveria de guardar?
Assim, as palavras proferidas
Vão ser ouvidas em algum lugar.
Eu faço esses versos infantis
Pro vento ir correndo contar
Sei bem que o tempo é cedo
E cedo o vento começou a ventar
Então, vento de primavera
Leva por entre as nuvens meu recado
Gira, sopra e diz pra ela
Que eu estou apaixonado.
Agora que eu contei pro vento
Vento começa a rodopiar
Usa de toda sua malícia
Vai a notícia espalhar
Bem sei que o vento não guarda segredos,
E porque haveria de guardar?
Sopra um vento de primavera,
E vento só faz soprar.
Daniel M. Laks
26/09/2007
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Guardado no cantinho
Não me responda nada!
Aquele sorriso já amarelou no meu rosto,
Aquele papel dobradinho,
Que eu escrevia as minhas notas mentais,
Ficou perdido, desgastado num canto.
Não me responda nada!
Deixa eu roubar seu cheiro,
Em cada passo de dança,
E guardar quietinho
Em um livro de sonetos qualquer.
Não me responda nada!
Eu gosto de você assim, burra.
Com essa inocência sonsa e muda.
Se houver de ser,
Seja o empecilho pra o novo.
Minha puta suplicante nas noites frias
E a Ártemis intocada depois do gozo.
Não me responda nada!
Meus argumentos são todos velhos,
Nosso amor sempre foi meu monólogo.
Meu riso triste, mas repleto de esperança,
E você sempre foi muda.
Eu há muito não sou triste.
Não me responda nada!
Daniel M. Laks
16/05/07
Aquele sorriso já amarelou no meu rosto,
Aquele papel dobradinho,
Que eu escrevia as minhas notas mentais,
Ficou perdido, desgastado num canto.
Não me responda nada!
Deixa eu roubar seu cheiro,
Em cada passo de dança,
E guardar quietinho
Em um livro de sonetos qualquer.
Não me responda nada!
Eu gosto de você assim, burra.
Com essa inocência sonsa e muda.
Se houver de ser,
Seja o empecilho pra o novo.
Minha puta suplicante nas noites frias
E a Ártemis intocada depois do gozo.
Não me responda nada!
Meus argumentos são todos velhos,
Nosso amor sempre foi meu monólogo.
Meu riso triste, mas repleto de esperança,
E você sempre foi muda.
Eu há muito não sou triste.
Não me responda nada!
Daniel M. Laks
16/05/07
terça-feira, 8 de maio de 2007
Caminho entre extremos
Eu caminho entre extremos,
Corro entre opostos,
Muitas vezes me escondo
E de repente me mostro!
Mergulho de cabeça e peito aberto
Na malha do que não me sustenta,
Cair para mim é desespero certo
E flutuar é melodia.
Só me torno coerente,
Apesar da inconstância,
Por aceitar francamente
Cada e qual epifania.
Em ocasiões eu visto máscaras
Para esconder minha insegurança,
Mas me sinto pouco e pergunto:
Será que meu cheiro ficou mudo?
Será que meu canto ficou rouco?
Assim me desconstruo e remodelo
Entre são e louco me sustento,
Ardendo do meu próprio fogo
Eu danço, eu grito, eu sangro.
Por muito tempo eu me travo
Depois enjôo e passo,
Mar adentro eu me perco
Espaço afora me refaço.
Sempre assim tão passional
Entre cores, dentes, unhas e sabores,
Certas coisas o tempo assenta
Enquanto outras remove.
Nunca soube se é impressão
Mas meus olhos vêem mais claro
Toda vez depois que chove.
Daniel M. Laks
08/05/2007
Corro entre opostos,
Muitas vezes me escondo
E de repente me mostro!
Mergulho de cabeça e peito aberto
Na malha do que não me sustenta,
Cair para mim é desespero certo
E flutuar é melodia.
Só me torno coerente,
Apesar da inconstância,
Por aceitar francamente
Cada e qual epifania.
Em ocasiões eu visto máscaras
Para esconder minha insegurança,
Mas me sinto pouco e pergunto:
Será que meu cheiro ficou mudo?
Será que meu canto ficou rouco?
Assim me desconstruo e remodelo
Entre são e louco me sustento,
Ardendo do meu próprio fogo
Eu danço, eu grito, eu sangro.
Por muito tempo eu me travo
Depois enjôo e passo,
Mar adentro eu me perco
Espaço afora me refaço.
Sempre assim tão passional
Entre cores, dentes, unhas e sabores,
Certas coisas o tempo assenta
Enquanto outras remove.
Nunca soube se é impressão
Mas meus olhos vêem mais claro
Toda vez depois que chove.
Daniel M. Laks
08/05/2007
domingo, 14 de janeiro de 2007
Sabiá
Canta, canta sabiá.
Se soubesses passarinho,
Como invejo o seu cantar.
Cada nota tão bonita
Que compõe sua canção.
E eu aqui triste e sozinho
Cantando o pranto do meu coração.
Daniel M. Laks
14/01/07
Se soubesses passarinho,
Como invejo o seu cantar.
Cada nota tão bonita
Que compõe sua canção.
E eu aqui triste e sozinho
Cantando o pranto do meu coração.
Daniel M. Laks
14/01/07
sábado, 30 de dezembro de 2006
Jokana Baishu
No dia em que fui maré,
Conheci a moça
Que com a lua se escondia.
Foi atração tão magnética,
Em ondas tão herméticas
Que ela própria regia.
Mas as minhas investidas,
Que em espuma diáfana se perdiam,
Procuravam o mesmo vento
Que moldava seus cabelos.
Só de sentir seu cheiro
Já me arrepiava os pelos.
Depois a noite sempre acabava
E a moça se escondia.
Sem tempo de receber a flor de açucena,
Que eu trazia pra enfeitar sua pele morena,
Que a luz da lua resumia.
Agora ela bóia tão fria no céu,
E eu fico aqui lembrando,
Daquela que nunca tive
E que me inspirou esses tristes versos
Num pedaço de papel.
Daniel M. Laks
30/12/06
Conheci a moça
Que com a lua se escondia.
Foi atração tão magnética,
Em ondas tão herméticas
Que ela própria regia.
Mas as minhas investidas,
Que em espuma diáfana se perdiam,
Procuravam o mesmo vento
Que moldava seus cabelos.
Só de sentir seu cheiro
Já me arrepiava os pelos.
Depois a noite sempre acabava
E a moça se escondia.
Sem tempo de receber a flor de açucena,
Que eu trazia pra enfeitar sua pele morena,
Que a luz da lua resumia.
Agora ela bóia tão fria no céu,
E eu fico aqui lembrando,
Daquela que nunca tive
E que me inspirou esses tristes versos
Num pedaço de papel.
Daniel M. Laks
30/12/06
terça-feira, 3 de outubro de 2006
O botão
O botão é uma rosa
Emocionalmente indisponível,
Entrincheirando o seu perfume
Na alternância de suas pétalas.
O botão é uma rosa
Intangível àqueles que colhem,
Utilizando suas sépalas
Para proteger seu pólen.
O botão é uma vagarosa dança,
Uma melodiosa esperança
De ser rosa.
Alheio caminho, sofreguidão,
Faceta de flor atrás de cada espinho,
Abre mão de ser rosa para ser botão.
Eis que encontra uma mão carinhosa
E se permite abrir aos pouquinhos,
Nunca perde seus espinhos
Mas sem perceber torna-se rosa.
Liberta então o seu perfume,
Seu pólen não recorda nenhuma dor,
Ela agora abre mão de ser botão
E se reconhece como uma linda flor.
Daniel M. Laks
03/10/06
Emocionalmente indisponível,
Entrincheirando o seu perfume
Na alternância de suas pétalas.
O botão é uma rosa
Intangível àqueles que colhem,
Utilizando suas sépalas
Para proteger seu pólen.
O botão é uma vagarosa dança,
Uma melodiosa esperança
De ser rosa.
Alheio caminho, sofreguidão,
Faceta de flor atrás de cada espinho,
Abre mão de ser rosa para ser botão.
Eis que encontra uma mão carinhosa
E se permite abrir aos pouquinhos,
Nunca perde seus espinhos
Mas sem perceber torna-se rosa.
Liberta então o seu perfume,
Seu pólen não recorda nenhuma dor,
Ela agora abre mão de ser botão
E se reconhece como uma linda flor.
Daniel M. Laks
03/10/06
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Entre tantas bocas descartáveis
Entre tantas bocas descartáveis,
Tantos olhos de carbono,
Alternam-se sístoles e diástoles
Compondo percepções em milisegundos
Do crepúsculo magenta
Que engarrafa a nau da tarde.
Ergue-se a lua dissonante,
Vestida de gala
Em quarto minguante
Enquanto a corte de estrelas cala.
Aqui jaz o tempo,
Aqui todos os espelhos são cegos,
Aqui os versos são paredes,
Daqui nasceu o vento
E todos os cometas vêm pra cá quando dormem.
Meu lirismo canta em retalhos
Quando a noite grita em silêncio.
Daniel M. Laks
27/09/06
Tantos olhos de carbono,
Alternam-se sístoles e diástoles
Compondo percepções em milisegundos
Do crepúsculo magenta
Que engarrafa a nau da tarde.
Ergue-se a lua dissonante,
Vestida de gala
Em quarto minguante
Enquanto a corte de estrelas cala.
Aqui jaz o tempo,
Aqui todos os espelhos são cegos,
Aqui os versos são paredes,
Daqui nasceu o vento
E todos os cometas vêm pra cá quando dormem.
Meu lirismo canta em retalhos
Quando a noite grita em silêncio.
Daniel M. Laks
27/09/06
Assinar:
Postagens (Atom)