terça-feira, 12 de maio de 2009

Diálogo

Recebeu um telegrama inesperado:

<<- A flora matinal desperta quando cai a noite.>>

Dançou por três moedas

E alguns aplausos.


Derreteu alumínio pra dar liga a seu dicionário:

<<- Falta estrutura em minhas entranhas atormentadas!>>

Acendeu velas pra jantar sozinho em casa,

Não tem luz na sala.


Daniel M. Laks

12/05/2009

domingo, 10 de maio de 2009

Luz fria

Lâmpada e mariposa:

Giros concêntricos,

Altos e baixos.

Ninguém se alimenta de luz.


Daniel M. Laks

10/05/2009

sábado, 9 de maio de 2009

Alguns tons misturados

Os heróis traíram suas causas

Nas acomodações institucionais.

Avisa a todos que as revoluções morreram!

As promessas não prometem mais

Serem mantidas.

Agora os cravos são apenas flores,

As pernas entrelaçadas somente

Complicam passos retos,

E a lâmina do bisturi continua fria e precisa.

A lua veio cheia e você nunca.


Daniel M. Laks

09/05/2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Itinerário poético

Tempo metálico

Nos ponteiros do relógio,

Fumaça colorindo lembranças

De aroma antiquado.


A imprudência tranqüila das esferográficas

Ferindo palavras para fazê-las viver:

<< - Queria sua voz na minha boca...>>

Poesia interrompida.


Daniel M. Laks

30/04/2009

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Arestas horizontais

Procurava arestas

Em seus raciocínios circulares.


Sentia cansaço das mentiras que lhe contavam

Com todos os dentes expostos,

Como galeria de telas brancas.


Trazia os calcanhares fixos no chão,

E um pouco da simpatia que lhe negavam

Escorrida e remoldada nos cantos da boca.


Sempre pensou que sua garganta

Rangia duas oitavas abaixo

Do ideologismo pra piano

Encenado nos palcos da cidade:


<<- Ideal seria se nos corroêssemos aos poucos,

Das extremidades até o ser etéreo,

Como acontece com nossas idéias.>>


De repente, suas unhas ruídas

E pontas dos dedos gastas

Parecem reinventar o signo

Fotografado pelo vidro da janela.


A cama do quarto permanecia deitada,

E silenciosamente incapaz

De fornecer conforto

A seu estado desperto.


Caminhou pela casa

Em busca de algum horizonte:


<<-Funcionários públicos não deveriam

Receber diagnóstico de sopro cardíaco,

Problema no coração é coisa de poeta.>>


As cadeiras da sala permaneciam

Sentadas em volta da mesa

Retangular cor da mistura de tintas

Que sempre trouxe consigo,

Mas que já é diferente da que vai com ele.


Daniel M. Laks

24/04/2009