Dissolvo alguns dias na escuridão.
Divido pela matilha de seres,
Que estruturam minha sombra,
As camadas internas
De intimidade compulsiva e
Ironias casuais.
Navego em hiatos noturnos,
Espreitando na orla pálida
De uma lua apagada.
E desperto ciente
Da vida das árvores,
E dos pombos que cercam as torres
Que limitam os homens.
O ar metálico pressiona
O mundo contra meu rosto,
E carrega ondas de rádio e televisão
Para desfocar os sentidos
Dos que interrompem seus sonhos.
Daniel M. Laks
27/01/2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Versos, estrelas, flores, cigarro e chuva
Meus versos não fazem eco.
Não trago comigo grandes ambições,
Tenho como única virtude
As dúvidas sobre minha pessoa.
Às vezes olho reto, mas não vejo a rua,
Prefiro admirar as estrelas.
E penso na distância das coisas que me encantam,
No tempo que leva pra que me sejam visíveis.
Será que aquela estrela ainda está viva?
Será que o brilho que me cativa não existe mais?
Aquela estrela morta me lembra
A última mulher que me apaixonei.
Já não tem mais rosto ou brilho.
A imagem que me assombra muda de face
Conforme mergulho em novas paixões.
Hoje comprei flores baratas no mercado.
Estavam com o nome e o preço errado.
Mas o perfume e a beleza
Impecavelmente certos pra essas flores.
Depois começou a chover torrencialmente,
Meu corpo, minhas roupas e as flores
Faziam parte do mesmo veio de rio
Que desaguava nas ruas engarrafadas.
Como não tinha mais estrelas.
Acendi um cigarro,
E me misturei às nuvens e ao vento
Com a fumaça que soprava.
Daniel M. Laks
22/01/2009
Não trago comigo grandes ambições,
Tenho como única virtude
As dúvidas sobre minha pessoa.
Às vezes olho reto, mas não vejo a rua,
Prefiro admirar as estrelas.
E penso na distância das coisas que me encantam,
No tempo que leva pra que me sejam visíveis.
Será que aquela estrela ainda está viva?
Será que o brilho que me cativa não existe mais?
Aquela estrela morta me lembra
A última mulher que me apaixonei.
Já não tem mais rosto ou brilho.
A imagem que me assombra muda de face
Conforme mergulho em novas paixões.
Hoje comprei flores baratas no mercado.
Estavam com o nome e o preço errado.
Mas o perfume e a beleza
Impecavelmente certos pra essas flores.
Depois começou a chover torrencialmente,
Meu corpo, minhas roupas e as flores
Faziam parte do mesmo veio de rio
Que desaguava nas ruas engarrafadas.
Como não tinha mais estrelas.
Acendi um cigarro,
E me misturei às nuvens e ao vento
Com a fumaça que soprava.
Daniel M. Laks
22/01/2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
O Galo (para meu irmãozinho que vai nascer)
O galo acordou atrasado
Pra cantar pro sol,
E enquanto dormia, sonhava
Que o sol esperava o seu cantar
Pra poder raiar o dia.
Mas em seu sono tolo,
O galo não sabia
Que na granja da família,
Galo que tarda a levantar
Não tem outra serventia
Senão sopa pro jantar.
Daniel M. Laks
16/01/2009
Pra cantar pro sol,
E enquanto dormia, sonhava
Que o sol esperava o seu cantar
Pra poder raiar o dia.
Mas em seu sono tolo,
O galo não sabia
Que na granja da família,
Galo que tarda a levantar
Não tem outra serventia
Senão sopa pro jantar.
Daniel M. Laks
16/01/2009
sábado, 27 de dezembro de 2008
Um poema de natal
As luzes de natal se acendem
E apagam o céu.
Hoje em dia existem placas
Indicando caminhos.
As árvores tropicais
Estão fantasiadas de pinheiros,
E os prédios espelhados
Refletem apenas pessoas que passam.
As ruas colecionam
Enchentes de gente e lixo.
Dragões de rodas sopram
Nuvens negras que não chovem.
Luminosos de neon roubam estrelas
Enquanto todos apreciam extasiados
A pirâmide ofuscante de metal.
Ninguém mais procura estrelas pra se encontrar.
Daniel M. Laks
27/12/2008
E apagam o céu.
Hoje em dia existem placas
Indicando caminhos.
As árvores tropicais
Estão fantasiadas de pinheiros,
E os prédios espelhados
Refletem apenas pessoas que passam.
As ruas colecionam
Enchentes de gente e lixo.
Dragões de rodas sopram
Nuvens negras que não chovem.
Luminosos de neon roubam estrelas
Enquanto todos apreciam extasiados
A pirâmide ofuscante de metal.
Ninguém mais procura estrelas pra se encontrar.
Daniel M. Laks
27/12/2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Lar
Seja bem vinda a minha casa.
Não repare nas flores mortas,
Nem na atmosfera tóxica.
Objetos que compõem minha morada.
Por favor, não procure a tristeza na parede,
Ela se esconde pra não ser achada.
E nem encontre meus olhos no espelho
Reflexos vítreos não vão te mostrar quem sou.
Aquela sombra do canto esquerdo
É onde observo, de longe, meus tropeços levantarem.
Não me pergunte o que vejo no quadro da parede,
É uma mensagem particular pra cada íris que arranha,
Cada retina que lambe.
Te proíbo de vasculhar minhas máscaras.
Mas sempre que quiser,
Pode escutar o som paralítico do silêncio.
Não se preocupe com as janelas,
Nenhuma delas dá pra dentro.
Seja bem vinda a minha casa, solidão.
Onde toda a luz que entra é elemento de escuridão.
Daniel M. Laks
11/12/2008
Não repare nas flores mortas,
Nem na atmosfera tóxica.
Objetos que compõem minha morada.
Por favor, não procure a tristeza na parede,
Ela se esconde pra não ser achada.
E nem encontre meus olhos no espelho
Reflexos vítreos não vão te mostrar quem sou.
Aquela sombra do canto esquerdo
É onde observo, de longe, meus tropeços levantarem.
Não me pergunte o que vejo no quadro da parede,
É uma mensagem particular pra cada íris que arranha,
Cada retina que lambe.
Te proíbo de vasculhar minhas máscaras.
Mas sempre que quiser,
Pode escutar o som paralítico do silêncio.
Não se preocupe com as janelas,
Nenhuma delas dá pra dentro.
Seja bem vinda a minha casa, solidão.
Onde toda a luz que entra é elemento de escuridão.
Daniel M. Laks
11/12/2008
domingo, 23 de novembro de 2008
Quando passa por mim
Transpassa indiferença,
Quando passa por mim,
Com essa atitude que não condiz.
Quanta diferença te ver assim.
Sei que mente constantemente,
E filtra o que me diz,
Quando cita o que transcorre.
Ato inato de quem corre,
Daquilo que incorre.
E se infiltra algo que me incita
Me ponho abalado,
E bravo desato em inferir.
Desbravo o que pode me ferir.
Mas algum dia eu sobreponho,
Me torno alado,
E sem transtorno
Vôo embora.
Daniel M. Laks
23/11/2008
Quando passa por mim,
Com essa atitude que não condiz.
Quanta diferença te ver assim.
Sei que mente constantemente,
E filtra o que me diz,
Quando cita o que transcorre.
Ato inato de quem corre,
Daquilo que incorre.
E se infiltra algo que me incita
Me ponho abalado,
E bravo desato em inferir.
Desbravo o que pode me ferir.
Mas algum dia eu sobreponho,
Me torno alado,
E sem transtorno
Vôo embora.
Daniel M. Laks
23/11/2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Mais um conto
Acordo em desacordo,
Vendo um sonho desmanchar.
Espero em desespero,
Versos pra manchar
Nosso caso, seu descaso.
Disparo em certo ponto.
Desconto
Coisas que a mente,
Desmente por razão.
Desfila ilusão.
Desponto até que paro.
Fila de histórias,
Feitas por desfeitas suas.
Mais um conto.
Me despeço do que peço,
Te desvendo,
Despedaço.
Desbotou a cor,
Botou de dor um pedaço,
De certo desperto mais perto de mim.
Daniel M. Laks
09/11/2008
Vendo um sonho desmanchar.
Espero em desespero,
Versos pra manchar
Nosso caso, seu descaso.
Disparo em certo ponto.
Desconto
Coisas que a mente,
Desmente por razão.
Desfila ilusão.
Desponto até que paro.
Fila de histórias,
Feitas por desfeitas suas.
Mais um conto.
Me despeço do que peço,
Te desvendo,
Despedaço.
Desbotou a cor,
Botou de dor um pedaço,
De certo desperto mais perto de mim.
Daniel M. Laks
09/11/2008
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